Discover Cat Stevens!

Why is my verse so barren of new pride
so far from variation or quick change?
why with the time do I not glance aside
to new-found methods and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
and keep invention in a noted weed,
that every word doth almost tell my name
showing their birth and where they did proceed?
Oh know, sweet love, I always write of you,
and you and love are still my argument;
so all my best is dressing old words new,
spending again what is already spent.
For as the sun is daily new and old,
So is my love still telling what is told
Shakespeare
A praia

PRAIA
Procuro a estrela do mar que me pertence,
andando pela praia sem destino.
O mar entra-me pelos dedos , o vento pela alma
Procuro em mim os teus carinhos.
Uma gaivota voa e meus olhos vão com ela,
Também assim a minha vida.
Vagueando no azul, eles encontram,
Fugindo no espaço, ela se perde.
Ao longe, a cidadela de um navio
Convida a viagem, a ilusão.
Fico sozinho , calando em silêncio
A voz que me diz para partir.
Mar. Não vás embora.
Embala o viajante , resiste.
Torna suave este pensar,
pois tuas ondas são ideias,
que alguém teve, e aí deixou.
...........................................
Um grito de criança, uma voz ao longe,
E os sentidos despertam para mim.
Quem sou eu, que faço aqui?
O barco já se foi
E eu fugi.
9/XI/09
WALT WHITMAN
I think I could turn and live with animals ,
they are so placid and self-contained
I stand and look at them long and long .
They do not sweat and whine about their condition ,
They do not lie awake in the dark and weep for their sins ,
They do not make me sick discussing their duty to God ,
Not one is dissatisfied ,
not one is demented with the mania of owning things ,
Not one kneels to another ,
nor to his kind that lived thousands of years ago ,
Not one is respectable or industrious over the whole earth .
(tradução muito livre...)
Gostaria de viver entre os animais.
Eles são tão calmos e contidos.
Olho para eles durante muito tempo.
Eles não sofrem pela sua condição,
não ficam acordados no escuro,
chorando pelos seus pecados,
não me enojam discutindo as suas obrigações perante Deus.
Nenhum está descontente.
Nenhum está obcecado pela urgência de possuir coisas.
Nenhum ajoelha perante um seu semelhante,
nem mesmo pelos que viveram no passado.
Nenhum é respeitável ou infeliz na Terra inteira.
*
Um poeta caminha à beira-mar, a maré está baixa e está um calor tórrido. Encontra um rapaz, a apanhar estrelas-do-mar na areia e a atirá-las de volta para o mar. Aproxima-se dele e diz-lhe que o gesto dele é inútil, pois naquela imensidão de praias sem fim há milhões de estrelas-do-mar e a acção dele não faz qualquer diferença. O rapaz, ouviu-o atentamente, baixou-se, apanhou outra estrela-do-mar e atirou-a para longe da rebentação. 
Vira-se para o homem e diz-lhe: “Fez diferença para aquela”.
Encontra a tua estrela-do-mar.
*
De Blackus13
"Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre."
Legião Urbana
Bom barqueiro
As letras saltam, brincando e sorrindo.
Rodopiam, formando palavras
Que só as crianças entendem.
Por vezes tornam-se sérias
E acontece uma notícia,
Mas logo se desfazem os grupos,
E uma canção infantil se ouve ao longe.
Bom barqueiro…bom barqueiro…
Perdemos a magia
De entendermos as palavras.
Esquecemos a ternura que
Aquece e ilumina.
Quero o silêncio
das coisas simples.
Tu não precisas das palavras,
Mas olhas para mim e eu entendo.
Do silêncio do teu olhar,
Do olhar do teu silêncio,
Nada há a dizer,
Apenas que amanhã
Se ouvirá a mesma canção,
Agora bem mais perto.
Bom barqueiro, bom barqueiro…
Constatativas ou performativas
FAZER E RECEBER declarações de amor é quase sempre agradável. O mesmo vale, aliás, para todos os sentimentos: mesmo quando dizemos a alguém, olhos nos olhos, "Eu odeio-te", o medo da brutalidade das nossas palavras não exclui uma forma selvagem de prazer.
De facto, há um prazer na própria intensidade dos sentimentos; por isso, desconfio um pouco das palavras com as quais os manifestamos. Tomando o exemplo do amor, nunca sei se a gente se declara apaixonado porque, de facto, ama ou, então, diz que está apaixonado pelo prazer de se apaixonar.
Simplificando, há duas grandes categorias de expressões: constatativas e performativas.
Se digo "Está a chover", a frase pode ser verdadeira se estamos num dia de chuva ou falsa se faz sol; de qualquer forma, mentindo ou não, é uma frase que descreve, constata um facto que não depende dela.
Se digo "Eu declaro a guerra", minha declaração será legítima se eu for imperador ou será um capricho da imaginação se eu for simples cidadão; de qualquer forma, capricho ou não, é uma frase que não constata, mas produz (ou quer produzir) um facto. Se eu tiver a autoridade necessária, a guerra estará declarada porque eu disse que declarei a guerra. Minha "performance" discursiva é o próprio acontecimento do qual se trata (a declaração de guerra).
Pois bem, nunca sei se as declarações de amor são constatativas ("Digo que amo porque constato que amo") ou performativas ("Acabo amando à força de dizer que amo"). E isso se aplica à maioria dos sentimentos.
Recentemente, uma jovem, por quem tenho estima e carinho, confiava-me sua dor pela separação que ela estava vivendo. Ao escutá-la, eu pensava que expressar seus sentimentos devia ser, para ela, um alívio, mas que, de uma certa forma, seria melhor se ela não falasse. Por quê?
Justamente, era como se a falta do namorado (de quem ela tinha se separado por várias e boas razões), a sensação de perda etc. fossem intensificadas por suas palavras, e talvez mais que intensificadas: produzidas.
É uma experiência comum: externamos nossos sentimentos para vivê-los mais intensamente -para encontrar as lágrimas que, sem isso, não jorrariam ou a alegria que talvez, sem isso, fosse menor. Nada contra: sou a favor da intensidade das experiências, mesmo das dolorosas. Mas há dois problemas.
O primeiro é que o entusiasmo com o qual expressamos nossos sentimentos pode simplificá-los. Ao declarar meu amor, por exemplo, esqueço conflitos e nuances. No entusiasmo do "amo-te", deixo de lado complementos incómodos ("Amo-te, assim como amo outras e outros" ou "Amo-te, aqui, agora, só sob este céu") e adversativas que atrapalhariam a declaração com o peso do passado ou a urgência de sonhos nos quais o amor que declaro não se enquadra.
O segundo problema é que nossa verborragia amorosa atropela o outro. A complexidade dos seus sentimentos perde-se na simplificação dos nossos, e a sua resposta ("Também te amo"), de repente, não vale mais nada ("Eu disse primeiro").
Por isso, no fundo, meu ideal de relação amorosa é silencioso, contido, pudico.
Você me ama em silêncio porque sou outro: uma aparição efémera, uma ave migrante.
Do blogue "Oriente-se"
O Diabo do meio-dia

O tédio moderno é uma forma de arrogância: a vida é chata porque nós seríamos maiores que sua suposta trivialidade insossa; tendemos a menosprezar o cenário onde nos toca viver, como se ele fosse demasiado banal para nossas façanhas. Pois bem, o segredo deve ser uma extraordinária humildade diante do que existe.
Do Blogue "Oriente-se"


