Um sonho dentro de um sonho

Queixa



QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS

Música- José Mário Branco
Poema - Natália Correia

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

A Beleza da Matemática




in http://bailandoconloboss.blogspot.com

Porquê eu?


Pensar muito sobre a nossa dor produz perguntas como "Porquê eu?" e a conclusões lógicas tais como "A vida é injusta " ou outras idênticas. A vida não é nem justa nem injusta e não há absolutamente nenhum "devia ser assim".




Por que uma pessoa é ou se torna deficiente? Bem, por que não? Pensar que a vida deve ser justa e julgar que certas coisas devem ou não acontecer connosco, são as primeiras causas do nosso sofrimento.



Notar a dor sem fazer juízos, reduz o sofrimento. O primeiro passo para acabar com o sofrimento, é separar a dor que sentimos da noção "não devíamos ou não merecíamos ter estas dores"...

sobre um quadro de Monet



Os pássaros entoam canções
Que iluminam a manhã.
O vento passa entre as árvores
E entre as mãos.
A calma está em cada movimento
Pois o relógio da torre não existe
E o tempo parou.
Aquele momento,
Não tem passado nem futuro.




A cada contacto do pincel
A cor fica impressa na tela e na Alma.
A cada nova página
Aproxima-se a Origem.
Estão sós,
E observo-as ao longe.
Não há qualquer sinal de angústia
Ou tristeza.
Apenas estão sós.

Quero pertencer àquele quadro,
Àquele livro.
Ser uma cor ou uma palavra;
Ser uma ideia ou uma forma,
Que alguém trata com atenção.

Mas quando tento em vão
Que olhem para mim…
Já o quadro está pronto
E o livro fechado.

Está a chover.

2/4/09

duas guitarras e duas vozes



Guinnevere had green eyes
Like yours, mi'lady like yours
When she'd walk down
Through the garden
In the morning after it rained
Peacocks wandered aimlessly
Underneath an orange tree
Why can't she see me?

Guinnevere
Drew pentagrams
Like yours, mi'lady like yours
Late at night
When she thought
that no one was watching at all
She shall be free
As she turns her gaze
Down the slope
to the harbor where I lay
Anchored for a day

Guinnevere
Had golden hair
Like yours, mi'lady like yours
Streaming out when we'd ride
Through the warm wind down by the bay
Yesterday
Seagulls circle endlessly
I sing in silent harmony
We shall be free

Boy with a moon







Lyrics




Discover Cat Stevens!

Vincent

POIS...

Paul Gauguin



Paul Gauguin


Why is my verse so barren of new pride
so far from variation or quick change?
why with the time do I not glance aside
to new-found methods and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
and keep invention in a noted weed,
that every word doth almost tell my name
showing their birth and where they did proceed?
Oh know, sweet love, I always write of you,
and you and love are still my argument;
so all my best is dressing old words new,
spending again what is already spent.
For as the sun is daily new and old,
So is my love still telling what is told


Shakespeare

A cena das cenas

A praia


PRAIA



Procuro a estrela do mar que me pertence,

andando pela praia sem destino.

O mar entra-me pelos dedos , o vento pela alma

Procuro em mim os teus carinhos.



Uma gaivota voa e meus olhos vão com ela,

Também assim a minha vida.

Vagueando no azul, eles encontram,

Fugindo no espaço, ela se perde.



Ao longe, a cidadela de um navio

Convida a viagem, a ilusão.

Fico sozinho , calando em silêncio

A voz que me diz para partir.



Mar. Não vás embora.

Embala o viajante , resiste.

Torna suave este pensar,

pois tuas ondas são ideias,

que alguém teve, e aí deixou.

...........................................

Um grito de criança, uma voz ao longe,

E os sentidos despertam para mim.

Quem sou eu, que faço aqui?

O barco já se foi


E eu fugi.


9/XI/09




O nascimento de Vénus,
de William-Adolphe Bouguereau

WALT WHITMAN

I think I could turn and live with animals ,
they are so placid and self-contained
I stand and look at them long and long .
They do not sweat and whine about their condition ,
They do not lie awake in the dark and weep for their sins ,
They do not make me sick discussing their duty to God ,
Not one is dissatisfied ,
not one is demented with the mania of owning things ,
Not one kneels to another ,
nor to his kind that lived thousands of years ago ,
Not one is respectable or industrious over the whole earth .





(tradução muito livre...)


Gostaria de viver entre os animais.
Eles são tão calmos e contidos.
Olho para eles durante muito tempo.
Eles não sofrem pela sua condição,
não ficam acordados no escuro,
chorando pelos seus pecados,
não me enojam discutindo as suas obrigações perante Deus.
Nenhum está descontente.
Nenhum está obcecado pela urgência de possuir coisas.
Nenhum ajoelha perante um seu semelhante,
nem mesmo pelos que viveram no passado.
Nenhum é respeitável ou infeliz na Terra inteira.

*


Um poeta caminha à beira-mar, a maré está baixa e está um calor tórrido. Encontra um rapaz, a apanhar estrelas-do-mar na areia e a atirá-las de volta para o mar. Aproxima-se dele e diz-lhe que o gesto dele é inútil, pois naquela imensidão de praias sem fim há milhões de estrelas-do-mar e a acção dele não faz qualquer diferença. O rapaz, ouviu-o atentamente, baixou-se, apanhou outra estrela-do-mar e atirou-a para longe da rebentação.





Vira-se para o homem e diz-lhe: “Fez diferença para aquela”.

Encontra a tua estrela-do-mar.

*

Adagio



Adagio - Albinoni

É preciso saber viver

Titâs

Para Blackus13

 


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