História (pouco) infantil

Caracol procura casa .
Era uma vez um caracol, chamado Antunes, que andava muito triste. Caminhava lentamente pelos campos fora , carregando consigo o peso dessa grande tristeza. Dia após dia ele estava sempre assim, de cara amarrada, cabeça baixa e nunca olhava bem à sua volta.
Um dia encontrou um coelho que passeava alegremente num campo muito verde:
_Olá senhor caracol! Lindo dia este! –disse o coelho.
O caracol, levantou ligeiramente os olhos e respondeu:
-Lindo dia? O que tem este dia de especial? É um dia como os outros e se bem me parece vai ficar quente e seco!
-Ora, ora, amigo caracol – respondeu o coelho –está sol, a erva fresca, e até os passarinhos estão a cantar! Está um lindo dia, não acha?
O caracol nem se deu ao trabalho de responder. Pensou” Este coelho é um tolo. Para que serve um coelho? “ e seguiu o seu caminho.
Depois de ter andado muitos metros (o que para um caracol é uma grande viagem…), sentiu-se cansado e parou junto de um rochedo. Escondeu-se lá de baixo…e dormiu. Foi então que ouviu uma voz muito bonita a dizer-lhe:
-Olá senhor! Está a dormir?
-Agora já não! Disse o caracol aborrecido por o terem incomodado. Quem és tu? Que bicho estranho és…
-Ah ah! Sou uma estrela! Não me diga que nunca tinha visto uma como eu!
_ Não, nunca vi. Como vives tu? A estrela riu-se novamente, e respondeu:
- Sou uma estrela e vivo no céu; Todas as noites podes ver-me no céu, a iluminar os caminhos e a torná-los bem bonitos. E tu onde vives?
O caracol quase que nem respondia…Olhou para a estrela e disse:
- Deixa-me cá! Eu não tenho lugar onde morar! Ando para aqui sem destino, à procura de um bom sitio para viver…mas nunca o encontrei… E quanto ao céu…nunca olhei para ele… está alto e é uma maneira azul de perder tempo!
- Pois olhe que faz mal! Este onde estamos é bem bom! Vivo aqui com as minhas irmãs e toda a gente olha para nós…
O caracol, farto da conversa com a estrela, decidiu continuar o seu caminho…e pensou: Esta é tola! Vive no céu e ilumina os caminhos! Para que serve uma estrela?
Sempre cansado, O caracol seguiu a sua viagem…ele continuava muito aflito à procura de um lugar especial onde se sentisse bem…
Foi então que encontrou um tordo…
Mais que depressa escondeu-se atrás de umas rochas. Que susto! Os tordos são bem perigosos e estão sempre cheios de fome! Desses é melhor fugir! O tordo ainda tentou apanhar o caracol Antunes, mas este conseguiu escapar.
- Onde posso ficar? Qual é o meu lugar? Não parava de pensar… mas ia seguindo o seu caminho, sempre triste e amargurado…
De repente, olhou para cima e assustou-se novamente: um grande par de olhos verdes estavam a olhar para ele. Um ser enorme que sorria.
- Olha que lindo caracol! Tem um ar bem divertido! Devagar, devagarinho sempre vai onde quer!
- Quem és tu? - perguntou a medo o Antunes.
- Sou o João, mais conhecido por João Palito.
- Porque te chamam assim?
- Sei lá! Se calhar é… porque as minhas pernas são muito fininhas, eheh, riu-se o João. Eu não me importo que me chamem assim! Cada um é como é! E tu! Tens nome? E onde vais com tanta pressa? -perguntou.
- O meu nome é Antunes…Baixou os olhos novamente e disse:
- Ando à procura de um bom sítio para ficar…mas tenho sempre de partir…
O João abriu muito os seus lindos olhos verdes e respondeu:
-Mas tu estás sempre em casa! Andas sempre a carregar com ela! Se tens frio ou estás cansado está sempre aí bem perto!
O caracol Antunes ficou muito admirado! Casa? Atrás de mim? Nunca tenho tempo de olhar para trás, a felicidade está sempre tão longe!
-Nada disso, disse o João. A tua casa é o lugar onde está tudo o que precisas. Conforto e sossego para viveres bem contente! Só tens de procurar estar mais atento, olhar para o céu e ver as estrelas a brilhar, ouvir os pássaros a cantar pela manhã e conversar alegremente com os teus amigos…Claro que com os tordos tens de ter cuidado… mas de resto o mundo é bem agradável!
O caracol Antunes ficou pensativo, mas achou que o rapaz era capaz de ter razão. Meteu-se na sua casa a pensar na sua vida. A pouco e pouco, começou a acenar às estrelas, assobiava aos pássaros e conversava de coisas sem importância com os seus vizinhos…afinal em qualquer lugar onde estivesse podia sentir-se feliz!
Great Gig in the Sky
Não sou nada amigo das comemorações... mas este é o meu contributo (pequeno mas sentido) para nos lembrarmos do nosso planeta... desejando que tomemos conta das nossas vidas bem melhor do que até aqui... (dia 22 de Abril ... Dia da Terra...e portanto de todos nós...) Não é Yes we can... mas YES WE STILL CAN...
Leonardo da Vinci
Queixa
QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS
Música- José Mário Branco
Poema - Natália Correia
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Porquê eu?

Pensar muito sobre a nossa dor produz perguntas como "Porquê eu?" e a conclusões lógicas tais como "A vida é injusta " ou outras idênticas. A vida não é nem justa nem injusta e não há absolutamente nenhum "devia ser assim".
Por que uma pessoa é ou se torna deficiente? Bem, por que não? Pensar que a vida deve ser justa e julgar que certas coisas devem ou não acontecer connosco, são as primeiras causas do nosso sofrimento.
Notar a dor sem fazer juízos, reduz o sofrimento. O primeiro passo para acabar com o sofrimento, é separar a dor que sentimos da noção "não devíamos ou não merecíamos ter estas dores"...
sobre um quadro de Monet

Os pássaros entoam canções
Que iluminam a manhã.
O vento passa entre as árvores
E entre as mãos.
A calma está em cada movimento
Pois o relógio da torre não existe
E o tempo parou.
Aquele momento,
Não tem passado nem futuro.
A cada contacto do pincel
A cor fica impressa na tela e na Alma.
A cada nova página
Aproxima-se a Origem.
Estão sós,
E observo-as ao longe.
Não há qualquer sinal de angústia
Ou tristeza.
Apenas estão sós.
Quero pertencer àquele quadro,
Àquele livro.
Ser uma cor ou uma palavra;
Ser uma ideia ou uma forma,
Que alguém trata com atenção.
Mas quando tento em vão
Que olhem para mim…
Já o quadro está pronto
E o livro fechado.
Está a chover.
2/4/09
duas guitarras e duas vozes
Guinnevere had green eyes
Like yours, mi'lady like yours
When she'd walk down
Through the garden
In the morning after it rained
Peacocks wandered aimlessly
Underneath an orange tree
Why can't she see me?
Guinnevere
Drew pentagrams
Like yours, mi'lady like yours
Late at night
When she thought
that no one was watching at all
She shall be free
As she turns her gaze
Down the slope
to the harbor where I lay
Anchored for a day
Guinnevere
Had golden hair
Like yours, mi'lady like yours
Streaming out when we'd ride
Through the warm wind down by the bay
Yesterday
Seagulls circle endlessly
I sing in silent harmony
We shall be free

Why is my verse so barren of new pride
so far from variation or quick change?
why with the time do I not glance aside
to new-found methods and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
and keep invention in a noted weed,
that every word doth almost tell my name
showing their birth and where they did proceed?
Oh know, sweet love, I always write of you,
and you and love are still my argument;
so all my best is dressing old words new,
spending again what is already spent.
For as the sun is daily new and old,
So is my love still telling what is told
Shakespeare
A praia

PRAIA
Procuro a estrela do mar que me pertence,
andando pela praia sem destino.
O mar entra-me pelos dedos , o vento pela alma
Procuro em mim os teus carinhos.
Uma gaivota voa e meus olhos vão com ela,
Também assim a minha vida.
Vagueando no azul, eles encontram,
Fugindo no espaço, ela se perde.
Ao longe, a cidadela de um navio
Convida a viagem, a ilusão.
Fico sozinho , calando em silêncio
A voz que me diz para partir.
Mar. Não vás embora.
Embala o viajante , resiste.
Torna suave este pensar,
pois tuas ondas são ideias,
que alguém teve, e aí deixou.
...........................................
Um grito de criança, uma voz ao longe,
E os sentidos despertam para mim.
Quem sou eu, que faço aqui?
O barco já se foi
E eu fugi.
9/XI/09
WALT WHITMAN
I think I could turn and live with animals ,
they are so placid and self-contained
I stand and look at them long and long .
They do not sweat and whine about their condition ,
They do not lie awake in the dark and weep for their sins ,
They do not make me sick discussing their duty to God ,
Not one is dissatisfied ,
not one is demented with the mania of owning things ,
Not one kneels to another ,
nor to his kind that lived thousands of years ago ,
Not one is respectable or industrious over the whole earth .
(tradução muito livre...)
Gostaria de viver entre os animais.
Eles são tão calmos e contidos.
Olho para eles durante muito tempo.
Eles não sofrem pela sua condição,
não ficam acordados no escuro,
chorando pelos seus pecados,
não me enojam discutindo as suas obrigações perante Deus.
Nenhum está descontente.
Nenhum está obcecado pela urgência de possuir coisas.
Nenhum ajoelha perante um seu semelhante,
nem mesmo pelos que viveram no passado.
Nenhum é respeitável ou infeliz na Terra inteira.
*
Um poeta caminha à beira-mar, a maré está baixa e está um calor tórrido. Encontra um rapaz, a apanhar estrelas-do-mar na areia e a atirá-las de volta para o mar. Aproxima-se dele e diz-lhe que o gesto dele é inútil, pois naquela imensidão de praias sem fim há milhões de estrelas-do-mar e a acção dele não faz qualquer diferença. O rapaz, ouviu-o atentamente, baixou-se, apanhou outra estrela-do-mar e atirou-a para longe da rebentação. 
Vira-se para o homem e diz-lhe: “Fez diferença para aquela”.
Encontra a tua estrela-do-mar.
*
De Blackus13
"Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre."
Legião Urbana
Bom barqueiro
As letras saltam, brincando e sorrindo.
Rodopiam, formando palavras
Que só as crianças entendem.
Por vezes tornam-se sérias
E acontece uma notícia,
Mas logo se desfazem os grupos,
E uma canção infantil se ouve ao longe.
Bom barqueiro…bom barqueiro…
Perdemos a magia
De entendermos as palavras.
Esquecemos a ternura que
Aquece e ilumina.
Quero o silêncio
das coisas simples.
Tu não precisas das palavras,
Mas olhas para mim e eu entendo.
Do silêncio do teu olhar,
Do olhar do teu silêncio,
Nada há a dizer,
Apenas que amanhã
Se ouvirá a mesma canção,
Agora bem mais perto.
Bom barqueiro, bom barqueiro…
Constatativas ou performativas
FAZER E RECEBER declarações de amor é quase sempre agradável. O mesmo vale, aliás, para todos os sentimentos: mesmo quando dizemos a alguém, olhos nos olhos, "Eu odeio-te", o medo da brutalidade das nossas palavras não exclui uma forma selvagem de prazer.
De facto, há um prazer na própria intensidade dos sentimentos; por isso, desconfio um pouco das palavras com as quais os manifestamos. Tomando o exemplo do amor, nunca sei se a gente se declara apaixonado porque, de facto, ama ou, então, diz que está apaixonado pelo prazer de se apaixonar.
Simplificando, há duas grandes categorias de expressões: constatativas e performativas.
Se digo "Está a chover", a frase pode ser verdadeira se estamos num dia de chuva ou falsa se faz sol; de qualquer forma, mentindo ou não, é uma frase que descreve, constata um facto que não depende dela.
Se digo "Eu declaro a guerra", minha declaração será legítima se eu for imperador ou será um capricho da imaginação se eu for simples cidadão; de qualquer forma, capricho ou não, é uma frase que não constata, mas produz (ou quer produzir) um facto. Se eu tiver a autoridade necessária, a guerra estará declarada porque eu disse que declarei a guerra. Minha "performance" discursiva é o próprio acontecimento do qual se trata (a declaração de guerra).
Pois bem, nunca sei se as declarações de amor são constatativas ("Digo que amo porque constato que amo") ou performativas ("Acabo amando à força de dizer que amo"). E isso se aplica à maioria dos sentimentos.
Recentemente, uma jovem, por quem tenho estima e carinho, confiava-me sua dor pela separação que ela estava vivendo. Ao escutá-la, eu pensava que expressar seus sentimentos devia ser, para ela, um alívio, mas que, de uma certa forma, seria melhor se ela não falasse. Por quê?
Justamente, era como se a falta do namorado (de quem ela tinha se separado por várias e boas razões), a sensação de perda etc. fossem intensificadas por suas palavras, e talvez mais que intensificadas: produzidas.
É uma experiência comum: externamos nossos sentimentos para vivê-los mais intensamente -para encontrar as lágrimas que, sem isso, não jorrariam ou a alegria que talvez, sem isso, fosse menor. Nada contra: sou a favor da intensidade das experiências, mesmo das dolorosas. Mas há dois problemas.
O primeiro é que o entusiasmo com o qual expressamos nossos sentimentos pode simplificá-los. Ao declarar meu amor, por exemplo, esqueço conflitos e nuances. No entusiasmo do "amo-te", deixo de lado complementos incómodos ("Amo-te, assim como amo outras e outros" ou "Amo-te, aqui, agora, só sob este céu") e adversativas que atrapalhariam a declaração com o peso do passado ou a urgência de sonhos nos quais o amor que declaro não se enquadra.
O segundo problema é que nossa verborragia amorosa atropela o outro. A complexidade dos seus sentimentos perde-se na simplificação dos nossos, e a sua resposta ("Também te amo"), de repente, não vale mais nada ("Eu disse primeiro").
Por isso, no fundo, meu ideal de relação amorosa é silencioso, contido, pudico.
Você me ama em silêncio porque sou outro: uma aparição efémera, uma ave migrante.
Do blogue "Oriente-se"
O Diabo do meio-dia

O tédio moderno é uma forma de arrogância: a vida é chata porque nós seríamos maiores que sua suposta trivialidade insossa; tendemos a menosprezar o cenário onde nos toca viver, como se ele fosse demasiado banal para nossas façanhas. Pois bem, o segredo deve ser uma extraordinária humildade diante do que existe.
Do Blogue "Oriente-se"
O lume para a SARIE
Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida da
Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo, o medo levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter
Nao percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar
Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti
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Cores e formas

Cores são mistérios,
Formas, ousadias dos sentidos.
Quando se juntam,
Em namoro e sedução
Acontece um quadro de Gauguin,
Ou a beleza de um olhar sereno.
Somos feitos de cores e formas
Mas nelas o Tempo não perdoa.
Agora são apenas reflexos
Dos lugares onde estivemos.
O quadro transforma-se:
De um lago surge uma nuvem,
Da nuvem, um relâmpago,
E a chuva que se segue,
São os olhos que nos perseguem..
Eles não vêem nenhum Van Gogh,
Nenhum Matisse.
E ao longe,
Chopin ri-se de nós todos
Pois ele já sabia tudo isto..
19 / XII /2008
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Quando chegares

Quando vens?
Vives nos campos
E nos corações
Ouves os pássaros
E falas com eles.
Quando vens?
Sei que estás aí
Tu que és Bela, Serena
Diáfana.
Sem ti nada sou.
Quando vens?
Quando chegares
Verás um pequeno sorriso,
Um leve olhar de ironia,
Um suspiro
Que não saberás interpretar.
Quando vens?
Cada dia que passa
Sinto-te mais próxima
Misturando-me
O Espaço e o Tempo.
Cada dia que passa
Sinto mais o odor
Das pétalas, do orvalho.
Quando vens?
Porque vens?
Que esperas de mim?
Não interessa.
Esperarei mais um dia.
Etiquetas: 17 / XII / 2008 0 comentários
Palavras

Palavras difíceis e que se misturam,
Serenas e terríveis.
São nevoeiros que nos envolvem,
Iluminam por momentos,
Mas fogem sem razão.
Madrugada, Mulher, Liberdade.
Prisão, Mentira, Solidão.
Como dizer uma tristeza,
Um sorriso , uma angústia?
Por vezes surge uma mensagem,
Outras, distância,
E nós, ficamos sem entender,
Cegos, indefesos,
À procura de nada.
É então que
O Sol e a Lua
Vêm brincar connosco.
Etiquetas: 18 / XII / 2008 0 comentários
Natal

Enquanto a chuva
Escorrer da minha vidraça
E furar o telhado
Daquele farrapo de homem que além passa
Enquanto o pão
Não entrar com a Justiça
Lado a lado
Mão a mão
nem Jesus vem
Andar pelos caminhos onde os outros vão
Um dia
Quando for Natal
(E já não for Dezembro)
E o mundo for o espaço
Onde cabe
Um só abraço
Então
Jesus virá
E será
À flor de tudo
O Redentor
Universal
(Quando o Homem quiser
Será Natal)
Manuel Sérgio
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Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
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Ausencia

Apenas te he dejado,
vas en mí, cristalina
o temblorosa,
o inquieta, herida por mí mismo
o colmada de amor, como cuando tus ojos
se cierran sobre el don de la vida
que sin cesar te entrego.
Amor mío
nos hemos encontrado
sedientos y nos hemos
bebido toda el agua y la sangre,
nos encontramos
con hambre
y nos mordimos
como el fuego muerde,
dejándonos heridas.
Pero espérame,
guárdame tu dulzura.
Yo te daré también
una rosa.
Pablo
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Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
Luís de Camões
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Partimos

Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste.
Etiquetas: Sophia de Mello Breyner Andresen 0 comentários
O meu pior dia como professor
Pois é sou professor. Chegou o momento de dizer alguma coisa do que sinto sobre o muito que se passa nas nossas escolas.
A srª Ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse que o seu pior dia não foi o da grandiosa manifestação de 120 mil professores nas ruas de Lisboa. Dei comigo a pensar que precisamente alguns dias depois, passei eu o pior dia na minha carreira de vinte e cinco anos como professor: O dia em que me pediram para dizer qual era o objectivo que tinha para o sucesso dos meus alunos.
Qual o objectivo de qualquer professor quando entra numa sala de aula? Por mais problemas, por mais dificuldades que os alunos tenham, por piores que sejam as condições de uma escola...o seu objectivo terá de ser sempre CEM POR CENTO DE SUCESSO. Quando uma escola admite como sua meta outro valor que não 100% de sucesso , desce ao nível da fábrica e demite-se da sua condição. Não fabrico automóveis, não produzo mobília, luto e lutarei por ultrapassar as dificuldades de TODOS os meus alunos : dos que trabalham muito e dos que não trabalham nada, dos que querem aprender e dos que ainda não querem, dos que têm bons encarregados de educação e dos que os têm só de nome, dos ricos e que se alimentam bem e dos pobres que chegam sem pequeno-almoço. Para todos o objectivo é o mesmo - o sucesso (mas primeiro a felicidade).
Assim, senhora ministra da educação de um governo português, trinta e quatro anos depois do 25 de Abril, lhe digo: o meu pior dia como professor foi aquele em que, cobardemente, não respondi 100% à estúpida pergunta: "Qual é o seu objectivo para o sucesso escolar dos seus alunos neste ano lectivo?".
Triste a Escola em que estamos! A escola que num início de um ano lectivo consegue dizer que tem como META fazer passar de ano, qualquer coisa diferente de 100% dos seus alunos...
Para todos os meus alunos...aqui fica o meu pedido sincero de desculpas.
Para si, que mais tarde ou mais cedo irá embora, enquanto eu permanecerei como docente, fique com a certeza que contribuiu para os piores dias da educação em Portugal nos últimos anos, e para a saída extemporânea de muitos e bons docentes, que se reformaram, e cuja experiência muita falta fará às escolas portuguesas.
- Mãe, gostas de mim?
- Gosto de ti até ao céu, meu filho.
- Mãe, se tivesse estado na tua barriga, gostavas mais de mim?
- Não meu filho, porque haveria de gostar? Tu estiveste dentro de mim, no meu pensamento e no meu coração.
O meu desejo de te ter, de te pegar, de ver o teu rosto era tão grande como uma barriga de grávida.
- Mãe, então tu dizes que gostas tanto de mim, que sou teu filho adoptivo, como do meu irmão que é teu filho biológico!
- Claro que sim. Quando estava à espera do teu irmão sentia-me muito feliz, porque ia ter um filho; não porque a minha barriga estava a crescer.
Há muitas maneiras de ter filhos: na barriga, no coração…
- Mãe, grávida no coração? O coração não tem filhos!
- Tem filhos sim, e foi lá que tu nasceste, é lá que estás a crescer e é onde vais ficar. Para qualquer lado aonde vá, levo-te sempre no meu coração.
- Ah! Então é mais importante o coração do que a barriga!
- Claro, meu filho. Mãe é aquela que te pega ao colo quando estás doente, que te pega ao colo mesmo quando lhe doem as costas e que te dá um beijo de boa-noite. Mãe é aquela que te ama…
In “Grávida no coração” de Paula Pinto da Silva
Somos excelentes
O autor deste texto é João Pereira Coutinho
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!
Foto

Para mim, durante muito tempo, fotografia era sinónimo de Eduardo Gageiro. Se com uma única imagem puder aumentar o interesse por este enorme fotógrafo, já valeu a pena o esforço de escolher apenas um dos seus trabalhos.
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O meu filme (parte 2)
Se não viu ainda...está lá tudo...Amor, orgulho, sede de poder, espectáculo, movimento, cor e... a capacidade de nos fazer pensar. É juntamente com Casablanca , naturalmente num outro registo, o melhor filme que já vi - Ran - os senhores da guerra de Akira Kurosawa (1985)legendado em inglês.
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Poema
Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem
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As palavras sempre ficam
As palavras sempre ficam
“Se me disseres que me amas, acreditarei.
Mas se escreveres que me amas,
Acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei.
Mas se me escreveres sobre ela,
eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares,
eu saberei. Mas se a descreveres no papel,
o seu peso será menor.”
… e assim são as palavras escritas:
possuem um magnetismo especial,
libertam, acalentam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de,
em poucos minutos, cruzar mares,
saltar montanhas, atravessar
desertos intocáveis.
Muitas vezes, infelizmente, perde-se o
autor , mas a mensagem sobrevive ao
tempo, atravessando
séculos e gerações.
Elas marcam um momento que será
eternamente revivido
por todos aqueles que a lerem.
Viva o amor com palavras faladas e escritas.
Mate saudades, peça perdão, aproxime-se.
Recupere o tempo perdido, insinue-se.
Alegre alguém, ofereça um simples “bom dia”.
Faça um carinho especial.
Use a palavra a todo instante,
de todas as maneiras.
Sua força é imensurável.
Lembre-se sempre do poder das palavras.
“Quem escreve constrói um castelo,
e quem lê passa a habitá-lo.”
(Autor desconhecido)
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pais 21
Hoje decidi escrever sobre um tema difícil - um filho com Trissomia 21. Para já, se não sabe o que é ...é melhor informar-se pois quem sabe se não lhe bate à porta...
Consultando o blog http://pais21.blogspot.com, parece ser a sorte grande e a terminação...mas NÃO É. Sorte grande é ter um filho saudável. Digamos que se ele for saudável pode dar muitos desgostos, muitos problemas, muitas lágrimas, pode ser pediatra, merceeiro ou ladrão, pode ser alto, bonito, feio, gordo, baixinho, atlético, esganiçado, mas pode ser qualquer coisa de acordo com as suas capacidades e o seu esforço. Quando ao fim de algum tempo levantar voo, voará para onde as suas asas o levarem. Então e a trissomia 21? Um filho com Tr 21 pode ser pediatra, merceeiro ou ladrão? Alto, bonito, feio, gordo , baixinho, atlético, esganiçado...de acordo com as suas capacidades e o seu esforço... Bem talvez não TUDO isso mas quase tudo.
O problema não está Nele. O problema, COMO EM TUDO NA VIDA, ESTÁ NA MANEIRA COMO SABEMOS RECEBER O QUE ESTÁ À NOSSA VOLTA... Eu por mim permaneço incrédulo, triste, amargurado, TODOS OS DIAS E ATÉ AO ÚLTIMO DIA... mas com a consciência que se ele me TIRA QUASE TUDO, também me dá , SE DÁ, TODO, SEM RESERVAS, SEM CONDIÇÕES, SEM HUMORES, SEM QUERERES. Que mais pode um pai querer?
pensar nos outros
Hoje acordei mais bem disposto. Então acho que chegou a hora de perceber que uma das maneiras de lidar com a solidão é pensar mais nos outros e menos em nós próprios...
Afinal é uma verdade que há sempre alguém com muito maiores problemas do que nós...
Talvez seja ainda possível...
A sua assinatura pode ser mais forte do que pensa... e não se esqueça que a Amnistia Internacional só defende pessoas em situação difícil por questões de pensamento e nunca que tenham participado em crimes de sangue.
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coragem
DE PRESSÃO
Hoje resolvi falar de ...depressão...
Curiosamente só pelo simples facto de ter decidido qualquer coisa, isso já é sinal de que não estou tão deprimido assim. Por isso vou escrever sobre depressão, não porque isso interesse a alguém, não!Afinal, a quem está deprimido não lhe interessa grande coisa. Os outros, felizes e contentes, que ainda não estão deprimidos... não estão para essas chatices. Afinal é uma doença de ociosos e madraços... " Não sou suficientemente rico para estar deprimido "... quem o disse? Escrevo simplesmente porque não tenho mais nada para fazer.![]()
Mas o pior não é a depressão! O pior é que Todos os outros te deprimem ainda mais! "Olha lá, não queres ir dar uma volta para te entreteres?" "Que bom! Hoje vêm cá a casa o Luís e a Teresa! São tão fixes!" " Amanhã tens reunião no trabalho porque o António teve mais uma participação","Porque não tocas aquela música que eu gosto tanto?", " Tanto tempo ao computador! Isso até te põe doente!","O que tu precisas é de dormir!" "Já entregaste a planificação do exame? Já fizeste isto e aquilo?"....................................................................
Bolas. No momento em que NADA, mas mesmo NADA, te apetece... a não ser talvez...quem sabe...um dia..., constantemente surgem os programas que decididamente não te apetece fazer e as obrigações próprias de um adulto consciente e trabalhador...
Assim, de castigo...já nao escrevo texto nenhum!
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Ser português
O que é ser português... não sei, mas suspeito que só um português conseguirá sentir bem a canção do mar.
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Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.
Fernando Pessoa
O problema do artista era este: obrigado a interromper o quadro que pintava e onde estava a aparecer o vermelho do seu peixe, não sabia agora o que fazer da cor preta que o peixe lhe ensinava.(...)Ao meditar acerca das razões porque o peixe mudara de cor precisamente na hora em que o pintor assentava na sua fidelidade, ele pensou que, lá de dentro do aquário, o peixe, realizando o seu número de prestidigitação, pretendia fazer notar que existia apenas uma lei que abrange tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Essa lei seria a METAMORFOSE.
Compreendida a nova espécie de fidelidade, o artista pintou na sua tela um peixe amarelo.
Herberto Helder

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ALIMENTOS TRANSGÉNICOS
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Poetas esquecidos
Ergues-te nupcial, alheia ao lugar exacto onde se inserem
teus nervos, onde espreitam o momento de existir
ignorados espasmos. Só com o estender de braços, reinventas
o mundo, reconstróis, pedra a pedra, o universo familiar,
conhecido antes da noite. Dizes: aqui está uma flor, uma árvore,
um pássaro, o regato
E a flor até aí inexistente
e a árvore até aí inexistente
e o pássaro e o regato até aí inexistentes,
genesiacamente surgem do teu desejo de tê-los
e existem por ti e contigo
e são, ao teu redor, o muro tutelar
e necessário.
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nós e eles
Us and Them
And after all we're only ordinary men
Me, and you
God only knows it's not what we would choose to do
Forward he cried from the rear
and the front rank died
And the General sat, as the lines on the map
moved from side to side
Black and Blue
And who knows which is which and who is who
Up and Down
And in the end it's only round and round and round
Haven't you heard it's a battle of words
the poster bearer cried
Listen son, said the man with the gun
There's room for you inside
Down and Out
It can't be helped but there's a lot of it about
With, without
And who'll deny that's what the fightings all about
Get out of the way, it's a busy day
And I've got things on my mind
For want of the price of tea and a slice
The old man died
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POEMA DO AMOR
Este é o poema do amor.
Do amor tal qual se fala, do amor sem mestre.
Do amor.
Do amor.
Do amor.
Este é o poema do amor.
Do amor das fachadas dos prédios e dos recipientes do lixo.
Do amor das galinhas, dos gatos e dos cães, e de toda a espécie de bicho.
Do amor.
Do amor.
Do amor.
Este é o poema do amor.
Do amor das soleiras das portas
e das varandas que estão por cima dos números das portas
com begónias e avencas plantadas em tachos e terrinas
ou de cortinas sujas e tortas
Este é o poema do amor.
Do amor das pedras brancas do passeio
com pedrinhas pretas a enfeitá-lo para os olhos se entreterem,
e as ervas teimosas a nascerem de permeio
e os homens de cócoras a repararem-nas e elas por outro lado a crescerem.
Do amor das cadeiras cá fora em redor das mesas
com as chávenas de café em cima e o toldo de riscas encarnadas.
Do amor das lojas abertas, com muitos fregueses e freguesas
a entrarem e a saírem, e as pessoas muito malcriadas.
Este é o poema do amor.
Do amor do sol e do luar,
do frio e do calor,
das árvores e do mar,
da brisa e da tormenta,
da chuva violenta,
da luz e da cor.
Do amor do ar que circula
e varre os caminhos
e faz remoinhos
e bate no rosto e fere e estimula.
Do amor de ser distraído e pisar as pessoas graves,
do amor de amar sem lei nem compromisso,
do amor de olhar de lado conmo fazem as aves,
do amor de ir, e voltar, e tornar a ir, e ninguém ter nada com isso.
Do amor de tudo quanto é livre, de tudo quanto mexe e esbraceja,
que salta , que voa, que vibra e lateja.
Das fitas ao vento,
dos barcos pintados,
das frutas, dos cromos, das caixas de tintas, dos supermercados.
Este é o poema do amor.
O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor.
=António Gedeão=
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Janela aberta

La nuit n'est jamais complète
Il y a toujours puisque je le dis
Puisque je l'affirme
Au bout du chagrin une fenêtre ouverte
Une fenêtre éclairée
Paul Éluard
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SEM TI

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas
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Dias
Almada Negreiros

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A pior indisciplina
Chegou a minha vez de dizer o que penso do ambiente que se vive nas Escolas. Em primeiro lugar a indisciplina pior que existe nas escolas, não é passível de ser mostrada na televisão. Ela não passa por imagens cheias de movimento e palavrões, empurrões, risos e choros. Ela é a indisciplina que está escondida mas que todos os professores conhecem... os bons, os maus e os péssimos professores, que todos os dias fazem o que podem para a ultrapassar e infelizmente também para a esconder... A indisciplina que se esconde atrás de planos de acompanhamento, planos de recuperação, dificuldades de aprendizagem, falta de hábitos de estudo e toda a panóplia de termos que entrou nas nossas escolas e que tão cedo não sairá... a indisciplina da ausência total de estudo, ausência total de responsabilidade, ausência total de esforço para superar as dificuldades.
Encarregados de educação, alunos, professores e toda a sociedade, fizeram crer a todos, que o ensino tem de ser divertido, "motivador", esquecendo que a maior motivação surge quando há prazer em SABER MAIS em ser MELHOR, em ultrapassar as barreiras que nos colocam pelo esforço e pelo valor.
Os Alunos estudam pouco ou nada; os encarregados de educação apenas os querem ver com SUCESSO, nem que este seja aparente; os professores , pressionados, pois dos resultados dos seus alunos dependerá em breve, em larga medida, a sua progressão na carreira, lutam entre a sua dignidade profissional, a necessidade de progressão, os baixos salários; os sindicalistas , sem compreender minimamente os sentimentos de quem pensam representar, lutando por manter os seus cargos ; os ministros querendo sucesso para poderem dizer que as suas políticas têm resultados positivos e que Portugal está a ultrapassar o atraso que tem relativamente aos países da União Europeia...
E assim, com horas e horas na escola, alegremente anunciadas, como se quantidade fosse qualidade, os alunos são na sua enorme maioria, o que podem ser, os menos culpados da situação ...
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A flor mais grande do mundo
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Para começar bem...
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