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Poema

Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem

As palavras sempre ficam

As palavras sempre ficam

“Se me disseres que me amas, acreditarei.
Mas se escreveres que me amas,
Acreditarei ainda mais.

Se me falares da tua saudade, entenderei.
Mas se me escreveres sobre ela,
eu a sentirei junto contigo.




Se a tristeza vier a te consumir e me contares,
eu saberei. Mas se a descreveres no papel,
o seu peso será menor.”

… e assim são as palavras escritas:
possuem um magnetismo especial,
libertam, acalentam, invocam emoções.

Elas possuem a capacidade de,
em poucos minutos, cruzar mares,
saltar montanhas, atravessar
desertos intocáveis.

Muitas vezes, infelizmente, perde-se o
autor , mas a mensagem sobrevive ao
tempo, atravessando
séculos e gerações.

Elas marcam um momento que será
eternamente revivido
por todos aqueles que a lerem.

Viva o amor com palavras faladas e escritas.
Mate saudades, peça perdão, aproxime-se.
Recupere o tempo perdido, insinue-se.
Alegre alguém, ofereça um simples “bom dia”.
Faça um carinho especial.

Use a palavra a todo instante,
de todas as maneiras.
Sua força é imensurável.

Lembre-se sempre do poder das palavras.

“Quem escreve constrói um castelo,
e quem lê passa a habitá-lo.”


(Autor desconhecido)

Poetas esquecidos

Há poetas aos quais se dá muita importãncia porque são muito importantes. Há poetas aos quais não se dá muita importância porque são demasiado importantes, e passam por nós com palavras belas mas escondidas, num pudor de serem lidas pela pessoa incerta. É assim Daniel Filipe. É assim a poesia de Daniel Filipe.
(por favor ao som de "Colour my world" dos Chicago)





Ergues-te nupcial, alheia ao lugar exacto onde se inserem

teus nervos, onde espreitam o momento de existir
ignorados espasmos. Só com o estender de braços, reinventas
o mundo, reconstróis, pedra a pedra, o universo familiar,

conhecido antes da noite. Dizes: aqui está uma flor, uma árvore,
um pássaro, o regato
E a flor até aí inexistente

e a árvore até aí inexistente

e o pássaro e o regato até aí inexistentes,

genesiacamente surgem do teu desejo de tê-los
e existem por ti e contigo
e são, ao teu redor, o muro tutelar
e necessário.


 


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